Notícias→LUCAS DO RIO VERDE→De seringal a potência: obra “Piavoré” resgata as raízes de Lucas do Rio Verde antes da ocupação moderna
Imagem: Caíque Santana
De seringal a potência: obra “Piavoré” resgata as raízes de Lucas do Rio Verde antes da ocupação moderna
Escrito pelo historiador Oliveira Neto, livro mergulha no passado de Francisco Lucas e no ciclo da borracha, revelando a história “obscura” que deu nome ao município
Por João Ricardo
16 de Janeiro de 2026 às 06:04
Muito antes dos extensos campos de soja e do vigoroso desenvolvimento urbano que define a Lucas do Rio Verde de hoje, a região era o domínio de barracões isolados e da extração da borracha. Essa “pré-história” luverdense, marcada pelo seringalismo e pelo coronelismo, é agora trazida à luz pelo historiador, professor e pesquisador Oliveira Neto em sua obra inédita: “Piavoré – A Pré-História de Lucas do Rio Verde”.
O livro, fruto de uma pesquisa iniciada em 2021, reconstrói o cenário regional a partir dos anos 1940, mas estende o olhar para um período ainda mais remoto, entre 1860 e 1930. O foco central é a figura de Francisco Lucas de Barros, o seringalista que deu nome ao município.
O homem por trás do nome
A curiosidade de Oliveira Neto sobre a origem do nome da cidade foi o motor da pesquisa. Francisco Lucas de Barros faleceu em 1945, quase 40 anos antes da fundação oficial do município, em 1982. Através de registros documentais, o autor revela um dado surpreendente: em 1912, o coronel da Guarda Nacional era o homem mais rico de Mato Grosso, reconhecido como o maior contribuinte do Estado graças à pujança da exploração da borracha.
“Fomos buscar a resposta antes da ocupação moderna, que acontece a partir de 1976. Compreender esse passado é essencial para valorizar o presente. Lucas do Rio Verde é uma cidade extremamente desenvolvida, mas quem sonhava com isso no tempo de Francisco Lucas?”, questiona o historiador.
Conflitos e Colonização
A obra não se limita à biografia de Francisco Lucas. Ela explora os conflitos políticos do coronelismo que agitaram a região entre 1905 e 1927 e o contexto da abertura da antiga BR-1003 (atual Cuiabá/Santarém) na década de 1970, que serviu como o divisor de águas para a colonização planejada.
Para o autor, o livro preenche uma lacuna educacional. “Existe uma história obscura, pouco conhecida, e agora ela vem à tona para as futuras gerações. Estamos deixando materialidade para que estudantes e pesquisadores tenham acesso à verdadeira história da nossa terra”, afirma Neto.
Lançamento e Legado
O lançamento de “Piavoré” está agendado para o dia 23 de janeiro, no Museu Histórico de Lucas do Rio Verde. O projeto foi viabilizado com incentivo federal e municipal. Como parte do compromisso social da obra, exemplares serão doados a escolas, universidades e bibliotecas públicas da cidade para fortalecer o ensino da história local.
Após a distribuição institucional, o livro será disponibilizado para comercialização em plataformas digitais e livrarias.
Usamos cookies essenciais para o funcionamento do site e cookies não essenciais para análise e melhorias. Você pode aceitar ou recusar o uso de cookies não essenciais.