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Imagem: ORCIVAL GUIMARÃES
Super El Niño em Mato Grosso: O manejo do solo como chave para colheitas recordes
Especialista afirma que, com o preparo adequado, produtores luverdenses e de todo o estado podem transformar o desafio climático em oportunidade de alta produtividade
Por João Ricardo
30 de Junho de 2026 às 05:37
A previsão de um "Super El Niño" tem gerado apreensão no agronegócio nacional, com projeções de quedas de até 15% na produtividade da soja e do milho em diversas regiões do país. No entanto, para o setor produtivo em Mato Grosso, o cenário não é de terra arrasada. Segundo o engenheiro agrônomo Leandro Barcelos, especialista em fertilidade do solo e fisiologia vegetal, o clima extremo pode ser mitigado — ou até superado — através de técnicas inteligentes de manejo.
O segredo está na raiz
O diferencial competitivo nesta safra não virá apenas da sorte com as chuvas, mas da estrutura física e química do solo. Para Barcelos, a resistência das plantas aos veranicos prolongados ou ao excesso de nebulosidade está diretamente ligada ao desenvolvimento radicular.
"O grande segredo está na raiz. Ela é a solução para praticamente todos os problemas relacionados ao estresse climático", destaca o especialista. Em propriedades onde o solo foi devidamente trabalhado, as plantas conseguem acessar água em camadas mais profundas, tornando-se mais resilientes aos extremos do fenômeno climático.
Práticas que fazem a diferença no campo
Para quem deseja blindar a produtividade, o agrônomo reforça um "checklist" de ações essenciais que podem ser adotadas ainda antes dos períodos críticos da safra:
Descompactação e correção: Uso eficiente de calcário e gesso agrícola para eliminar o alumínio tóxico em subsuperfície.
Cobertura vegetal: Investimento em sistemas integrados, como milho consorciado com braquiária, que mantêm a temperatura do solo sob controle.
Nutrição preventiva: Foco em micronutrientes estratégicos (cobalto, zinco, manganês, ferro, níquel, enxofre e boro), essenciais para preservar a eficiência fotossintética mesmo sob estresse térmico.
Tecnologia biológica: O uso de extratos de algas e aminoácidos surge como um aliado estratégico para aumentar a tolerância da lavoura aos períodos de seca e calor intenso.
Oportunidade para quem faz o "dever de casa"
Enquanto áreas do Centro-Oeste e o Matopiba enfrentam o alerta de déficit hídrico, a realidade de Mato Grosso exige um olhar atento tanto à seca quanto ao excesso de chuvas, que podem prejudicar a colheita.
Barcelos é enfático ao dizer que o clima, embora variável, não é um impeditivo para bons resultados. "Existe conhecimento e existe manejo. Quem fizer o dever de casa e trabalhar bem o solo poderá, inclusive, colher mais do que em anos anteriores. O desafio climático pode, sim, ser transformado em oportunidade para quem investe na base da produtividade", conclui.
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