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Imagem: Aprosoja MT
Aprosoja MT participa da IX Conferência Brasileira de Pós-Colheita e acompanha debates sobre sanidade de grãos
Realizado em Carambeí (PR), o encontro reuniu especialistas para discutir temas relacionados à pós-colheita, como armazenagem, controle de micotoxinas e exigências dos mercados importadores
Por Marianne Mariano
01 de Setembro de 2026 às 07:08
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), por meio da Comissão de Defesa Agrícola, participou da IX Conferência Brasileira de Pós-Colheita, realizada em agosto, no Pavilhão Frísia do Parque Histórico de Carambeí, no Paraná. Promovido pela Capal, Castrolanda e Frísia Cooperativa Agroindustrial, o encontro foi realizado em conjunto com o XIII Simpósio Paranaense de Pós-Colheita de Grãos e reuniu pesquisadores, especialistas, empresas e representantes do setor produtivo ligados aos diferentes segmentos da pós-colheita.
Ao longo dos três dias de programação, a conferência apresentou painéis temáticos, palestras, debates e sessão de trabalhos científicos, além da exposição de equipamentos e soluções voltadas à armazenagem, secagem, conservação, movimentação, monitoramento e controle de qualidade dos grãos.
Déficit de armazenagem pressiona Mato Grosso
Um dos principais temas do evento foi o diagnóstico da armazenagem de grãos no Brasil, apresentado por Paulo Cláudio Machado Junior, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Dados atualizados até julho de 2026 indicam que o país conta com 12.187 unidades armazenadoras e capacidade estática de aproximadamente 226,5 milhões de toneladas, sendo que o Centro-Oeste concentra 41% desse total, seguido por Sul (32,9%), Sudeste (14,8%), Nordeste (7,4%) e Norte (3,9%).
Apesar da expansão da infraestrutura, a apresentação evidenciou um déficit estrutural, já que o crescimento da produção tem ocorrido em ritmo superior ao aumento da capacidade estática. Em Mato Grosso, a limitação se torna mais evidente entre agosto e setembro, quando os estoques remanescentes de soja coincidem com a entrada do milho de segunda safra. Entre os desafios apontados estão a capacitação dos agentes envolvidos, o fortalecimento da segregação e rastreabilidade e a disponibilidade de linhas de crédito favoráveis para ampliar e modernizar as estruturas nas propriedades rurais.
Mercado e escoamento reforçam protagonismo mato-grossense Na palestra sobre perspectivas da safra e desafios do escoamento, Thome Luiz Freire Guth, também da Conab, apresentou o cenário global do milho para 2026/2027, marcado por demanda superior à produção mundial e consequente aperto nos estoques globais. No comércio internacional, o Brasil se consolida como segundo maior exportador do grão, respondendo por mais de um quinto das vendas externas.
O panorama das exportações brasileiras de soja entre 2021 e 2025 confirmou a liderança isolada de Mato Grosso no volume exportado, seguido por Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Quanto à logística, Santos (SP) mantém-se como principal corredor de exportação, seguido por Paranaguá (PR), Rio Grande (RS), Itaqui (MA) e Barcarena (PA), com destaque para a relevância crescente das rotas do Arco Norte.
Sementes tóxicas e pragas quarentenárias no foco das exportações A palestra de Fátima Chieppe Parizzi, da Anec/Abiove, tratou das questões fitossanitárias que impactam diretamente a exportação de grãos, com destaque para a presença de sementes potencialmente tóxicas e pragas quarentenárias nas cargas de soja e milho. Entre as espécies que demandam atenção estão crotalária, mamona, corda-de-viola, jurubeba, trombeteira, leiteiro, fedegoso, feijão-de-porco e jequiriti.
No comércio com a China, o tema ganhou relevância nos últimos anos, com notificações registradas entre 2021 e 2025 envolvendo pragas quarentenárias e sementes tratadas em cargas de soja. Como resposta, a cadeia produtiva brasileira intensificou o monitoramento e as medidas de mitigação, com participação de entidades como Mapa, Anec, Abiove, Aprosoja, CNA, CropLife, Embrapa e OCB. O controle deve começar ainda no campo, com manejo de plantas daninhas e limpeza e regulagem adequada das máquinas, e seguir durante descarga, pré-limpeza, armazenamento e expedição.
Micotoxinas e manejo integrado de pragas O painel dedicado a micotoxinas e pragas no armazenamento reuniu as apresentações de Eduardo Micotti da Gloria, da Esalq/USP, e de Elivânio dos Santos Rosa, da Caramuru Alimentos. As discussões reforçaram que a prevenção é mais eficiente do que medidas corretivas: secagem adequada, limpeza dos grãos, aeração, controle de temperatura e monitoramento constante da massa armazenada reduzem o risco de desenvolvimento fúngico. Foi destacado ainda que a secagem e o armazenamento adequados não eliminam as toxinas já existentes, e que a representatividade da amostragem é decisiva para a confiabilidade dos resultados laboratoriais.
No manejo de pragas, a orientação foi de que o controle não dependa exclusivamente de inseticidas ou do expurgo. A higienização de moegas, secadores, elevadores, correias e túneis figura entre as principais medidas preventivas, já que resíduos acumulados servem de abrigo e alimento para insetos entre uma safra e outra. O monitoramento periódico deve orientar a decisão de intervenção, com posterior verificação da eficácia do tratamento, e o manejo precisa contemplar também roedores e aves, especialmente pombos.
Para a Aprosoja MT, a participação amplia o conhecimento técnico sobre qualidade, conservação e sanidade dos grãos, subsidiando materiais técnicos e ações de capacitação voltadas aos produtores mato-grossenses, além de possibilitar o acompanhamento das exigências fitossanitárias dos mercados importadores e a aproximação com pesquisadores, instituições e demais representantes da cadeia produtiva.
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