O início de janeiro em Lucas do Rio Verde tem sido marcado pela intensificação das chuvas, um cenário que acende um sinal de alerta para os moradores: o aumento da presença de animais peçonhentos em perímetros urbanos. A 13ª Companhia Independente de Bombeiros Militares (13ª CIBM) alerta que este período é propício para que serpentes, escorpiões e aranhas busquem abrigo em quintais e até mesmo no interior das residências.
De acordo com o sargento Alexsandre Silva, da 13ª CIBM, o fenômeno ocorre não apenas pelo desalojamento desses animais devido à água, mas também pelo ciclo biológico. “Entre novembro e janeiro, as chuvas coincidem com a fase de reprodução de diversas espécies, especialmente as serpentes. Por isso, os registros de aparições tornam-se muito mais frequentes nesta época”, explica o sargento.
Riscos locais e identificação
A biodiversidade da região de Lucas do Rio Verde exige atenção redobrada. O município abriga os quatro principais grupos de serpentes peçonhentas do país: jararaca, cascavel, cobra-coral e pico-de-jaca. Todas possuem potencial de risco à vida devido à inoculação de veneno e já tiveram exemplares capturados pela corporação dentro da cidade.
A orientação técnica é clara: ao avistar um animal, a palavra de ordem é isolamento. “A população não deve tentar capturar ou matar o animal. O contato direto é o maior risco para acidentes. O procedimento correto é manter a calma, observar as características visuais do animal a uma distância segura e ligar imediatamente para o 193. Nossa equipe de resgate de fauna está preparada para a remoção segura”, reforça Alexsandre.
Prevenção e o programa "Limpa Tudo"
A batalha contra os animais peçonhentos começa no manejo do ambiente doméstico. O sargento enfatiza que manter gramas cortadas, árvores podadas e quintais livres de entulho ou folhas acumuladas é essencial. Matéria orgânica em decomposição atrai insetos que servem de alimento para escorpiões e aranhas, criando uma cadeia alimentar perigosa dentro de casa.
Nesse sentido, a colaboração com os serviços públicos municipais é estratégica. Os moradores devem aproveitar o cronograma do serviço “Limpa Tudo” para realizar o descarte correto de resíduos, evitando que materiais inservíveis se tornem criadouros não apenas de animais peçonhentos, mas também do mosquito da dengue.
O que fazer (e o que não fazer) em acidentes
Caso ocorra uma picada, o Corpo de Bombeiros desmistifica crenças populares que podem agravar as lesões. Práticas como fazer torniquetes (garrote), realizar cortes no local da picada, ou aplicar substâncias como pó de café e pomadas são terminantemente proibidas.
“O torniquete, por exemplo, concentra o veneno e pode causar necrose, piorando drasticamente o quadro. O protocolo correto é lavar o local com água e sabão, manter a vítima calma, usar uma compressa quente apenas para alívio da dor e buscar socorro imediato”, orienta o sargento.
Em Lucas do Rio Verde, o Hospital São Lucas é a unidade de referência preparada para o atendimento desses casos. A unidade dispõe de soroterapia específica para os tipos de serpentes encontrados na região. O sargento finaliza lembrando que a velocidade no atendimento é o fator determinante para o sucesso da recuperação: “O soro é o único tratamento eficaz, e quanto mais rápido o paciente receber a dose, menores as chances de sequelas”.
Serviço:
Em caso de encontro com animais peçonhentos ou acidentes:
- Emergência: 193 (Corpo de Bombeiros)
- Atendimento Médico: Hospital São Lucas