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Notícias→MATO GROSSO →Pesquisa mapeia vírus, fungos e bactérias em morcegos na transição Cerrado-Amazônia em MT
Imagem: ASSESSORIA

Pesquisa mapeia vírus, fungos e bactérias em morcegos na transição Cerrado-Amazônia em MT

Estudo conduzido pela Universidade Federal de Mato Grosso em Sinop busca antecipar riscos à saúde pública e fortalecer políticas de vigilância epidemiológica no Estado

Por João Ricardo
26 de Fevereiro de 2026 às 05:00

Uma pesquisa desenvolvida em Mato Grosso está identificando vírus, fungos e bactérias que circulam em morcegos na região de transição entre Cerrado e Amazônia — área marcada por alta biodiversidade e intensa interação entre fauna silvestre, zonas urbanas e atividades produtivas. Alguns desses patógenos podem representar potenciais riscos à saúde humana.

O estudo é conduzido pela mestranda Francisca Linalva Ferreira Braga, com a participação de acadêmicos de Biologia e Medicina Veterinária, sob orientação do professor doutor Rafael Arruda, coordenador do Laboratório de Quiropterologia Neotropical da Universidade Federal de Mato Grosso, campus de Sinop.

A pesquisa integra o Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCAM) e conta com fomento do Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), em parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

De acordo com a pesquisadora, compreender a circulação de patógenos em morcegos é etapa essencial para antecipar riscos e evitar que possíveis surtos se transformem em crises de saúde pública. As coletas em campo serão realizadas de forma ética, com captura dos animais para coleta de amostras biológicas e posterior análise laboratorial por técnicas moleculares e microbiológicas.

Entre os agentes investigados estão vírus respiratórios das famílias Coronaviridae, Paramixovírus e Adenovírus, além de vírus entéricos como Rotavírus e Calicivírus, já identificados em morcegos em outras regiões do país. Em Mato Grosso, no entanto, ainda existe uma lacuna significativa de dados em maior escala espacial e temporal. O objetivo é justamente ampliar o conhecimento sobre a circulação desses microrganismos em um dos estados mais biodiversos do Brasil.

Além do impacto sanitário, o projeto também cumpre papel educativo e ambiental. Apesar de serem reservatórios de diversos patógenos, os morcegos desempenham funções ecológicas indispensáveis: atuam no controle de pragas agrícolas, na polinização de espécies nativas e cultivadas, na dispersão de sementes e podem servir como bioindicadores de contaminação ambiental — contribuindo diretamente para o equilíbrio dos ecossistemas e para a própria economia regional.

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