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Notícias→AGRONEGÓCIO →Pesquisa do Imea revela demanda por profissionais no agro, predominância da CLT e maior procura por operadores de máquinas
Imagem: Rafael Antônio Dias/ Sistema Famato

Pesquisa do Imea revela demanda por profissionais no agro, predominância da CLT e maior procura por operadores de máquinas

O levantamento ouviu 415 produtores rurais de 87 municípios de Mato Grosso. A pesquisa possui nível de confiança de 95% e margem de erro de 5% para os resultados estaduais.

Por João Ricardo
15 de Julho de 2026 às 06:26

A dificuldade dos produtores rurais para encontrar trabalhadores qualificados também revela oportunidades para quem busca ingressar no mercado de trabalho. Pesquisa realizada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), mostra que 62,62% dos produtores relatam alta dificuldade para contratar novos funcionários. O resultado desse estudo foi divulgado nesta terça-feira (14) no Fórum dos Setores Produtivos, que faz parte da programação da 58° Expoagro, em Cuiabá.

A falta de qualificação técnica foi apontada por 69,16% como o principal problema relacionado à mão de obra. Entre as funções mais demandadas, a operação de máquinas agrícolas ocupa a primeira posição, citada por 63,77% dos entrevistados.

De acordo com o Imea, os resultados refletem a transformação da agricultura mato-grossense. Com propriedades cada vez mais mecanizadas e tecnológicas, cresce a necessidade de profissionais preparados para operar equipamentos e atuar em processos produtivos mais complexos.

Para o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o desafio também pode ser visto como uma oportunidade profissional.

“Quando mais de 60% dos produtores relatam alta dificuldade para contratar, o dado acende um alerta, mas também mostra que existe espaço para quem estiver preparado. A agricultura e as profissões do campo mudaram. O operador de máquinas é um exemplo: hoje, trabalha com equipamentos cada vez mais tecnológicos. Para quem busca uma profissão ou uma nova carreira, a qualificação pode ser a porta de entrada para um setor em constante modernização”, afirma.

O levantamento ouviu 415 produtores rurais de 87 municípios de Mato Grosso. A pesquisa possui nível de confiança de 95% e margem de erro de 5% para os resultados estaduais.

A pesquisa contabilizou 6.814 trabalhadores fixos nas propriedades participantes, com média de seis funcionários agrícolas por estabelecimento. A CLT aparece como modalidade predominante de contratação de trabalhadores fixos em 96,12% das respostas.

Além da remuneração, as propriedades oferecem benefícios. Alimentação fornecida pela fazenda foi citada por 85,19% dos produtores, enquanto 84,95% disponibilizam moradia ou alojamento. Também aparecem transporte, treinamentos, vale-alimentação ou vale-refeição, plano de saúde e acesso à internet.

Para o diretor de Relações Institucionais da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Ronaldo Vinha, é preciso ampliar o conhecimento sobre as possibilidades profissionais existentes no campo.


Ronaldo Vinha destacou que é preciso ampliar o conhecimento sobre as possibilidades profissionais existentes no campo. Foto: Rafael Antônio Dias

“O agro se tornou mais tecnológico, profissional e especializado. A pesquisa mostra a presença do emprego formal e de benefícios como alimentação e moradia. Quando mostramos essa realidade, mostramos também que existem possibilidades de carreira para diferentes perfis. O convite é para que as pessoas conheçam o agro, busquem qualificação e enxerguem as oportunidades existentes no setor”, afirma.

Operadores de máquinas lideram a demanda

Os operadores de máquinas agrícolas são os profissionais mais procurados, mencionados por 63,77% dos produtores. Na sequência aparecem trabalhadores para serviços gerais, com 38,65%; técnicos agrícolas ou agrônomos, com 14,25%; monitores de pragas, com 10,87%; e profissionais para cargos de gerência ou encarregado, com 10,39%.

A procura por operadores acompanha o avanço da mecanização. Ao mesmo tempo em que equipamentos mais modernos transformam determinadas atividades, cresce a demanda por trabalhadores capazes de operar máquinas de maior complexidade e acompanhar a evolução tecnológica das propriedades.

Qualificação gratuita como forma de entrada

É na aproximação entre a demanda do setor e a preparação dos trabalhadores que atua o Senar MT. A instituição oferece capacitações gratuitas em áreas como agricultura, pecuária, agroindústria, gestão, saúde e segurança no trabalho.

Atualmente, o Senar MT possui 278 tipos de cursos em seu portfólio. Somente entre janeiro e junho de 2026, foram realizadas 7.129 ações, entre cursos, palestras e aulas de cursos técnicos, alcançando cerca de 67,5 mil participantes.

Na área de mecanização agrícola, diretamente relacionada à principal demanda apontada pela pesquisa, foram realizados 2.034 cursos no primeiro semestre de 2026, com 11.126 pessoas capacitadas em 55.224 horas de treinamento. Para o gerente de Educação Formal do Senar MT, Pedro Souza, a qualificação pode conectar quem busca uma oportunidade às necessidades do setor.

“A pesquisa mostra uma demanda concreta por profissionais preparados. Para quem deseja ingressar no mercado de trabalho ou buscar uma nova profissão, a qualificação pode ser o primeiro passo. O papel do Senar MT é construir essa ponte, oferecendo formação gratuita e conectada às necessidades reais do campo”, afirma.

A capacitação faz parte da rotina de 81,20% das propriedades entrevistadas. Entre as instituições procuradas pelos produtores para qualificar seus trabalhadores, o Senar MT é a mais citada, com 71,13%.

Todos os cursos oferecidos pelo Senar MT são gratuitos. Os interessados podem procurar o Sindicato Rural mais próximo para consultar a agenda e realizar a inscrição. Por meio da parceria com 96 Sindicatos Rurais vinculados ao Sistema Famato, a instituição atua nos 142 municípios de Mato Grosso.

Acesse o relatório completo: https://lp.imea.com.br/mapeamento-de-indicadores

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