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08/10/2026 06:15
Chuvas aumentam alerta para focos do Aedes aegypti em Lucas do Rio Verde
Mesmo com redução recente nas notificações, município já ultrapassou 1,6 mil registros de dengue em 2026 e monitora circulação do sorotipo 3
Com a chegada do período chuvoso, a Vigilância em Saúde de Lucas do Rio Verde reforça o alerta para que os moradores redobrem os cuidados contra a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Segundo a supervisora da Vigilância em Saúde, enfermeira Cláudia Engelmann, o município apresentou uma redução de aproximadamente 50% nos casos suspeitos semanais nas últimas três semanas. Apesar da melhora, o cenário ainda exige atenção: desde o início do ano, já foram registradas mais de 1.600 notificações de dengue, com uma média atual de 30 a 35 novos casos por semana.

Também há registro de pacientes que precisaram de internação, incluindo situações com sinais de alarme e casos graves.
Sorotipo 3 aumenta preocupação
 
Outro fator que exige atenção das autoridades de saúde é a circulação do sorotipo 3 da dengue (DENV-3). Como essa variante passou um longo período com pouca circulação na região, uma parcela significativa da população possui baixa ou nenhuma imunidade contra ela.
A combinação entre a circulação do vírus, temperaturas elevadas e mudanças no regime de chuvas pode favorecer a reprodução do mosquito e ampliar o risco de transmissão.

A Vigilância alerta ainda que os criadouros não estão restritos aos recipientes tradicionalmente associados ao mosquito. Ambientes como fossas e locais com água, inclusive em condições diferentes das observadas habitualmente, também podem se tornar pontos de reprodução.

Calhas entram no radar durante período chuvoso

Um dos cuidados considerados prioritários neste momento é a limpeza das calhas de imóveis. Folhas, galhos e sujeira podem bloquear o escoamento da água da chuva e criar pontos de acúmulo que nem sempre são percebidos pelos moradores.
 
A manutenção desses espaços é responsabilidade dos proprietários e moradores, já que os agentes de endemias não conseguem realizar inspeções físicas em todas as áreas elevadas das residências.

Também é necessário verificar regularmente:
pneus armazenados a céu aberto;
garrafas e recipientes sem tampa;
lonas e utensílios deixados no quintal;
 lixo descartado de maneira irregular;
qualquer objeto capaz de acumular água.

Drones ajudam a localizar imóveis com possíveis criadouros

Para ampliar o trabalho de fiscalização, a Vigilância em Saúde também utiliza drones no mapeamento de imóveis fechados e na identificação de possíveis focos.

A participação dos moradores é considerada fundamental, especialmente quando há terrenos ou imóveis vizinhos com acúmulo de resíduos e água parada.

Denúncias podem ser encaminhadas à Ouvidoria Municipal ou diretamente à Vigilância em Saúde pelo telefone (65) 3548-2508.
 
Após o recebimento da denúncia, a equipe busca identificar o responsável pelo imóvel no cadastro tributário municipal.
Nos imóveis alugados, situações relacionadas à limpeza podem inicialmente resultar na notificação do inquilino. Em propriedades fechadas ou casos que envolvam a estrutura do imóvel, o proprietário cadastrado é comunicado e tem prazo de até 48 horas para apresentar resposta ou solucionar o problema. O descumprimento pode resultar em medidas administrativas, incluindo multa e, nos casos previstos, ingresso forçado no imóvel.
Prefeitura amplia ações de prevenção

Além das ações de fiscalização, o município mantém medidas de controle do mosquito. Entre elas estão mutirões de limpeza, realizados em conjunto com a Secretaria de Obras, e a notificação de terrenos baldios pela Secretaria de Meio Ambiente.

A Vigilância também instalou ovitrampas, utilizadas para acompanhar a presença e a densidade populacional do Aedes aegypti, e está implantando estações disseminadoras de larvicida em locais estratégicos, como borracharias e ferros-velhos.
 
Na área de vacinação, a dose contra a dengue permanece disponível na rede pública para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme o público definido pelo programa de imunização.

Para Cláudia Engelmann, a prevenção depende da participação conjunta entre poder público e comunidade.

“O combate ao mosquito não é uma tarefa fácil, especialmente com as mudanças climáticas, mas o empenho coletivo é a nossa principal arma. Precisamos que a população receba os agentes de endemias e faça a sua parte dentro de casa”, reforça.
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