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Imagem: Eduardo Cardoso

Entidades do agro buscam apoio de Alckmin para medidas sobre endividamento e crédito rural

Entidades do agro levam a Brasília pauta sobre endividamento agrícola, crédito rural e Fundo Garantidor para a agropecuária

Por EDUARDO CARDOSO
10 de Julho de 2026 às 05:57

Representantes do setor agropecuário estiveram nesta quarta-feira (08), em Brasília, em agendas na Vice-Presidência da República, com o vice-presidente Geraldo Alckmin, e no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com o ministro André de Paula, para tratar do endividamento agrícola e da criação de um Fundo Garantidor para a agropecuária.

Representando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, participou da agenda ao lado de representantes da Aprosoja Brasil, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e de demais segmentos produtivos.

A reunião teve como foco a busca por soluções concretas para garantir que os produtores rurais tenham acesso efetivo ao crédito necessário para o próximo ciclo produtivo. A preocupação das entidades é que, mesmo com recursos anunciados para o Plano Safra, parte dos produtores encontre dificuldades para contratar financiamentos diante do aumento das exigências bancárias, do comprometimento de garantias e da elevação dos custos financeiros.

O alerta apresentado pela comitiva é reforçado por levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que aponta avanço do crédito problemático em Mato Grosso. Segundo o estudo, as operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas chegaram a R$ 21,79 bilhões no estado, o equivalente a 18,22% da carteira de crédito rural. Em 2022, esse índice era de 2,08%.

O estudo também evidencia que a inadimplência superior a 90 dias alcançou 4,98% da carteira estadual, totalizando R$ 5,25 bilhões em operações atrasadas. Para as entidades, os números demonstram que o principal desafio do momento não está apenas na capacidade produtiva das propriedades, mas também nas condições financeiras para acessar crédito, reorganizar compromissos e manter a atividade nas próximas safras.


Comitiva se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, para discutir medidas voltadas ao acesso ao crédito rural, endividamento agrícola e financiamento das próximas safras

Durante a audiência, Vilmondes defendeu que o Fundo Garantidor seja estruturado como uma ferramenta capaz de reduzir a percepção de risco das instituições financeiras, diminuir a exigência de garantias reais e viabilizar novas operações de crédito rural, especialmente para produtores economicamente viáveis que seguem em plena atividade.

Segundo o presidente da Famato, o cenário exige medidas urgentes e estruturantes.

“O produtor rural precisa de crédito no momento indicado para continuar produzindo. O endividamento agrícola, somado à falta de garantias disponíveis, tem dificultado novas contratações, mesmo para produtores com capacidade produtiva. O Fundo Garantidor é uma alternativa concreta para destravar o crédito, dar segurança ao sistema financeiro e preservar a próxima safra”, afirmou Vilmondes Tomain.

A proposta defendida pelas entidades prevê estruturar uma carteira específica no âmbito do FGI-PEAC, com aporte inicial de R$ 8 bilhões pelo Tesouro Nacional. O mecanismo teria potencial de alavancar até R$ 80 bilhões em crédito para novas operações rurais, mantendo a análise de risco pelas instituições financeiras e a responsabilidade compartilhada entre poder público, bancos e produtores.

Para o setor produtivo, o debate sobre endividamento agrícola precisa considerar a realidade do campo e os impactos sobre toda a cadeia. A restrição de crédito para produtores em atividade pode comprometer o plantio, a produção, o abastecimento, a geração de renda e a economia dos municípios.

Além da audiência na Vice-Presidência da República, a pauta também foi tratada em agenda técnica no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com o ministro André de Paula. A mobilização conjunta reforça a preocupação das entidades com o acesso efetivo ao crédito rural e com a necessidade de construção de uma solução estruturante para o financiamento das próximas safras.

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