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Reincidência na inadimplência bate recorde e acende alerta sobre saúde financeira das famílias brasileiras
Levantamento da CNDL e SPC Brasil mostra que quase 86% dos consumidores negativados em abril já haviam enfrentado dívidas recentes; recuperação de crédito também perdeu força
Por João Ricardo
21 de Maio de 2026 às 05:43
O endividamento das famílias brasileiras alcançou um novo patamar de preocupação em abril de 2026. Dados divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil apontam que 85,95% dos consumidores negativados no período já haviam passado por registros de inadimplência nos últimos 12 meses — o maior índice já registrado para o mês de abril.
O levantamento mostra que a maioria dos consumidores reincidentes continua acumulando dificuldades financeiras. Entre os inadimplentes que retornaram ao cadastro restritivo, 68,53% ainda mantinham débitos antigos em aberto quando voltaram a ser negativados. Outros 17,41% chegaram a limpar o nome ao longo do último ano, mas acabaram entrando novamente na lista de devedores. Apenas 14,05% dos negativados em abril não tinham histórico recente de restrições no CPF.
Outro dado que chama atenção é o curto intervalo entre uma dívida e outra. Em média, os consumidores reincidentes levam apenas 71 dias entre o vencimento de uma pendência negativada e o surgimento de um novo débito em atraso. Na prática, isso significa que muitas famílias não conseguem reorganizar o orçamento antes de enfrentar novas dificuldades financeiras.
No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em abril, o número de brasileiros reincidentes em inadimplência aumentou 15,05% em comparação com o período anterior, reforçando o avanço contínuo do endividamento no país.
Segundo o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, José César da Costa, os indicadores revelam um cenário de fragilidade persistente nas finanças domésticas, marcado pela dificuldade de recuperação financeira e pela rápida volta ao cadastro de inadimplentes.
Faixa entre 30 e 39 anos lidera reincidência
O estudo também traçou o perfil dos consumidores que voltaram a ficar inadimplentes. A faixa etária de 30 a 39 anos concentrou a maior participação, representando 26,18% do total de reincidentes.
Na divisão por gênero, as mulheres seguem predominando entre os consumidores negativados, somando 54,40%, enquanto os homens representam 45,60%.
Menos brasileiros conseguem limpar o nome
Além do aumento da reincidência, o levantamento aponta piora na recuperação de crédito. O número de consumidores que conseguiram sair dos cadastros de inadimplência caiu 2,92% nos últimos 12 meses encerrados em abril de 2026.
A maior retração foi observada entre pessoas que demoraram de quatro a cinco anos para quitar suas dívidas, grupo que registrou queda de 15,90% na recuperação financeira.
Entre os brasileiros que conseguiram regularizar a situação, a faixa de 50 a 64 anos teve a maior participação, respondendo por 24,75% dos consumidores recuperados. Já a divisão por sexo permaneceu equilibrada: 51,02% mulheres e 48,98% homens.
O valor médio desembolsado pelos consumidores para quitar as dívidas em abril foi de R$ 2.176,99. Apesar disso, a maior parte dos pagamentos ficou em valores menores: 61,44% dos consumidores recuperados quitaram débitos de até R$ 500.
Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, os números evidenciam um ambiente econômico cada vez mais desafiador para as famílias brasileiras, marcado pelo crescimento acelerado da inadimplência e pela dificuldade de manter a estabilidade financeira mesmo após a renegociação de dívidas.
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