Uma pesquisa desenvolvida em Mato Grosso está identificando vírus, fungos e bactérias que circulam em morcegos na região de transição entre Cerrado e Amazônia — área marcada por alta biodiversidade e intensa interação entre fauna silvestre, zonas urbanas e atividades produtivas. Alguns desses patógenos podem representar potenciais riscos à saúde humana.
O estudo é conduzido pela mestranda Francisca Linalva Ferreira Braga, com a participação de acadêmicos de Biologia e Medicina Veterinária, sob orientação do professor doutor Rafael Arruda, coordenador do Laboratório de Quiropterologia Neotropical da Universidade Federal de Mato Grosso, campus de Sinop.
A pesquisa integra o Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCAM) e conta com fomento do Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), em parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
De acordo com a pesquisadora, compreender a circulação de patógenos em morcegos é etapa essencial para antecipar riscos e evitar que possíveis surtos se transformem em crises de saúde pública. As coletas em campo serão realizadas de forma ética, com captura dos animais para coleta de amostras biológicas e posterior análise laboratorial por técnicas moleculares e microbiológicas.
Entre os agentes investigados estão vírus respiratórios das famílias Coronaviridae, Paramixovírus e Adenovírus, além de vírus entéricos como Rotavírus e Calicivírus, já identificados em morcegos em outras regiões do país. Em Mato Grosso, no entanto, ainda existe uma lacuna significativa de dados em maior escala espacial e temporal. O objetivo é justamente ampliar o conhecimento sobre a circulação desses microrganismos em um dos estados mais biodiversos do Brasil.
Além do impacto sanitário, o projeto também cumpre papel educativo e ambiental. Apesar de serem reservatórios de diversos patógenos, os morcegos desempenham funções ecológicas indispensáveis: atuam no controle de pragas agrícolas, na polinização de espécies nativas e cultivadas, na dispersão de sementes e podem servir como bioindicadores de contaminação ambiental — contribuindo diretamente para o equilíbrio dos ecossistemas e para a própria economia regional.