Mato Grosso reforça sua posição de destaque na produção nacional de algodão ao apresentar uma cadeia cada vez mais integrada, tecnológica e voltada à sustentabilidade. A avaliação foi feita pelo presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Orcival Gouveia Guimarães, durante as celebrações do Dia Mundial do Algodão, comemorado nesta quarta-feira (7).
Mais do que a produção de fibras destinadas à indústria têxtil, a cotonicultura movimenta diferentes segmentos da economia e gera oportunidades de trabalho no campo. Para Guimarães, um dos principais avanços registrados pelo setor está justamente na qualificação dos empregos e na melhoria das condições oferecidas aos trabalhadores das propriedades.
Segundo o dirigente, o cumprimento das normas trabalhistas e os investimentos em estrutura contribuíram para elevar os padrões de alimentação, alojamento e bem-estar dos profissionais que atuam nas fazendas.
Outro diferencial da atividade é o aproveitamento praticamente integral da planta. O capulho, por exemplo, pode ser utilizado na compostagem ou como componente da alimentação de bovinos. Já a fibrilha, a palhada e outros resíduos podem ser destinados à produção de adubo orgânico ou utilizados em processos industriais.
Produção exige alto investimento e planejamento
Mato Grosso possui atualmente aproximadamente 1,5 milhão de hectares cultivados com algodão, com expectativa de uma pequena ampliação da área. Na região cortada pela BR-163, cerca de 500 mil hectares são destinados à cultura, principalmente no sistema de segunda safra, após a colheita da soja.
A produção, entretanto, exige investimentos elevados. O custo estimado varia entre US$ 2,6 mil e US$ 3 mil por hectare, em grande parte devido à utilização de insumos e tecnologias com preços influenciados pelo dólar.
No mercado, a cotação da fibra tem oscilado entre 80 e 82 centavos de dólar por libra-peso, o equivalente a aproximadamente R$ 130 a R$ 135 por arroba, cenário que exige atenção dos produtores diante das constantes mudanças no mercado internacional.
A infraestrutura também aparece como um dos fatores considerados estratégicos para a expansão da cadeia. Os avanços em pavimentação, logística e melhorias na BR-163 contribuem para facilitar o transporte da produção e podem favorecer a instalação de novas indústrias no estado.
Mato Grosso também se prepara para receber, em 2028, o Congresso Internacional do Algodão, que será realizado no Parque Novo Mato Grosso.
Tecnologia para enfrentar o clima
As condições climáticas também estão no centro das decisões dos produtores. Diante da possibilidade de influência do fenômeno El Niño, associado à irregularidade das chuvas e alterações nas temperaturas, o planejamento da segunda safra passou a exigir ainda mais precisão.
Uma das estratégias adotadas é o uso de cultivares de soja de ciclo superprecoce, com duração aproximada entre 95 e 102 dias. A antecipação da colheita permite abrir espaço para o plantio do algodão dentro da janela considerada mais adequada.
Com elevado nível de mecanização e capacidade operacional para realizar a semeadura em cerca de 15 dias, os produtores buscam reduzir a exposição das lavouras aos riscos climáticos e preservar o potencial produtivo.
Para a liderança da Ampa, a trajetória do algodão em Mato Grosso demonstra como tecnologia, qualificação profissional, planejamento e sustentabilidade passaram a caminhar lado a lado na consolidação da atividade.